Dr. Laerte Levai
Dr. Laerte Fernando Levai é um promotor de justiça de São José dos Campos em São Paulo, também formado em jornalismo, que tem se destacado na luta pelos direitos animais, pela ecologia e contra a vivissecção.
Se a safra de grãos de 2006/2007 do Brasil, de 131 milhões de toneladas, fosse distribuída igualmente entre os 180 milhões de brasileiros, caberia a cada um a inacreditável quantidade de 722 quilos de grãos num ano.
Num consumo (absurdo, claro) de um quilo por dia por pessoa, se poderia alimentar dois Brasis inteiros; ou cada brasileiro podia convidar outro terráqueo para comer com ele até fartar-se.
Num consumo (absurdo, claro) de um quilo por dia por pessoa, se poderia alimentar dois Brasis inteiros; ou cada brasileiro podia convidar outro terráqueo para comer com ele até fartar-se.
Acabaria com mais de um quarto dos famintos do mundo.
Só de soja, foram 58 milhões de toneladas, e de milho, 36,6 milhões, nesta safra. (Quase um quilo de soja por dia para cada brasileiro.)
São moeda de troca para os produtores, que os exportarão sobretudo para a União Européia fazer ração para o gado.
São moeda de troca para os produtores, que os exportarão sobretudo para a União Européia fazer ração para o gado.
O alimento do mundo é desviado para sustentar a indústria da carne, porque é imensamente mais lucrativa.
Um quilo de carne custa o dobro, o triplo, o quíntuplo ou mais que um quilo de grãos (embora sejam necessários sete quilos de grãos para produzir um quilo de carne).
As crianças embaixo da ponte que tenham paciência: bife é mais chique e eleva o saldo das exportações.
Um quilo de carne custa o dobro, o triplo, o quíntuplo ou mais que um quilo de grãos (embora sejam necessários sete quilos de grãos para produzir um quilo de carne).
As crianças embaixo da ponte que tenham paciência: bife é mais chique e eleva o saldo das exportações.
José Luztemberger, nosso primeiro e maior ambientalista, já apontou:
“No Sul do Brasil, a grande floresta subtropical do Vale do Rio Uruguai foi completamente arrasada para abrir espaço para a monocultura da soja.
Isso não foi feito para aliviar o problema da fome nas regiões pobres do Brasil, mas para enriquecer uma minoria com a exportação para o Mercado Comum Europeu, para alimentar gado”.
Mas não é só. Diz João Meireles Filho, vegetariano, descendente de pecuaristas da Amazônia:
A pecuária bovina expulsou o homem do campo.
Numa grande fazenda da Amazônia, emprega-se uma pessoa a cada 700 bois, que ocupam mil hectares.
A mesma área com agricultura familiar empregaria 100 vezes mais, com agro-floresta em permacultura empregaria 200 pessoas!
*A permacultura é um método holístico para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.
A pecuária é altamente concentradora de renda.
Inexiste uma única região do Brasil onde a pecuária promoveu o desenvolvimento com justiça social.
Por que, então, optamos pelo boi?
Porque não pensamos. Não medimos conseqüências.
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